quarta-feira, 9 de abril de 2008

A Cruz de Caravaca


A história de Caravaca, por certo, é formada de episódios ricos que estão registrados; porém, o fato lendário perdurou e a Igreja não abre mão do mágico aparecimento da Cruz de Caravaca, tendo-o como real, verídico e milagroso.

No ano de 1231, reinava na Espanha o rei Abu Zeyt, conhecido como Muhammad ben Yaquib. Em Caravaca, na fortaleza maior, Muhammad mantinha prisioneiros, um grupo de cristãos, suspeitos de tramarem contra os invasores. Entre o grupo, de aproximadamente quinze pessoas, encontrava-se, incógnito, um sacerdote de nome Gines Perez Chirinos que ministrava aos seus companheiros o conforto da religião.

Essas práticas foram descobertas pelos guardas e o fato chegou aos ouvidos de Muhammad que, interessado, mandou vir à sua presença o religioso prisioneiro, para conhecer as suas atividades e descobrir se estava sendo arquitetada a insurreição.

Várias foram as audiências mantidas com Muhammad, que ficou impressionado com o religioso a ponto de se interessar pela atividade de sacerdote e o que significava a celebração da Santa Missa. Chirinos viu a oportunidade, não exatamente de melhorar a sua situação de prisioneiro, mas a de preparar a alma do Rei para uma utópica conversão ao Cristianismo.

Certo dia Muhammad, mais paciencioso, pediu a Chirinos que lhe explicasse o mistério da Eucaristia. Chirinos objetou de que não poderia fazer o desejo do Rei, porque não dispunha dos elementos necessários para celebrar o ato sagrado.
Muhammad, julgando que Chirinos não desejava satisfazer a sua curiosidade, irritou-se, recomendando severidade no tratamento dos prisioneiros.

Com o passar dos dias, a curiosidade e talvez o toque espiritual divino, passaram a preocupar o Rei a ponto de perder a tranquilidade. Mandou vir, novamente, à sua presença Chirinos que se apresentou em lastimável estado de penúria e sofrimento. Muhammad, com palavras suaves, tornou a pedir ao sacerdote que celebrasse a Missa e que fizesse uma relação de tudo quanto necessitaria para o ato.

Comovido, Chirinos foi enumerando todos os objetos necessários e pediu um local apropriado; foi escolhido um recanto da fortaleza, próximo à torre, que foi limpo, ordenado e preparado para a instalação de um altar. Chegando às mão de Chirinos os elementos, foi fácil verificar que haviam sido retirados dos altares das igrejas, resultando, assim, em uma visível profanação. Negou-se Chirinos a prosseguir na sua tarefa, pois, o que havia sido profanado, não poderia servir ao sacrifício.

Muhammad então exigiu de Chirinos o prosseguimento dos preparativos, sob pena de serem os seus companheiros de cárcere torturados até a morte. Sem outra alternativa Chirinos prosseguiu. Ele havia montado o altar, preparado o vinho e o pão e treinado dois companheiros de prisão para servirem como acólitos, todos devidamente trajados de conformidade com os costumes da Igreja; o sacerdote estava comovido.

O Rei mandou chamar os seus amigos e familiares e se dispôs com grande atenção e emoção a presenciar o ato máximo de uma 'Magia' Cristã. Foi naquele preciso momento de expectativa que Chirinos se deu conta de que havia esquecido de pedir o elemento principal: uma Cruz !

Notando o nervosismo de Chirinos, e vendo lágrimas em seus olhos, Muhammad indagou o que estava acontecendo. Quis saber o que significava a Cruz e por que era imprescindível a presença daquele símbolo. O local onde se encontravam era iluminado pela luz solar que penetrava através de uma abertura sobre o Altar. Chirinos vendo frustrado seu trabalho e temendo ser castigado como ameaçara o Rei, com palavras confusas e balbuciantes tentou descrever a Cruz. Muhammad, com o olhar posto na abertura sobre o Altar, apontou com as mãos para ela e com voz embargada pela emoção: "É isso aí, a Cruz ?" Chirinos acompanhou o gesto de Muhammad e viu assomarem pela janela dois anjos luminosos, trazendo em suas mãos uma Cruz!

A Cruz, que tinha um formato curioso, uma composição da Cruz Latina com Tau, revestida de pedraria, toda de ouro, foi colocada pelos anjos, no seu devido lugar, sobre o Altar. Um dos Anjos disse que a Cruz era parte da Cruz do Calvário. Todos tinham os seus olhares fixos na Cruz e não perceberam como os Anjos desapareceram. O silêncio era comovente.

Chirinos, como possuído por uma força estranha, começou a celebrar. Muhammad, seus familiares e todos os presentes, converteram-se naquele momento ao Cristianismo. Todos os prisioneiros foram libertados e aquela fortaleza foi transformada em Igreja.

Misteriosamente, e isso ninguém sabe, precisamente no dia 14 de Fevereiro de 1934, a Cruz desapareceu.

(Extraído do Livro "A Origem de Tudo", autor: Rizzardo da Camino)

segunda-feira, 17 de março de 2008

A Aldeia Gaulesa


"Estamos no ano 50 antes de Cristo. Toda a Gália foi ocupada pelos romanos... Toda? Não! Uma aldeia povoada por irredutíveis gauleses ainda resiste ao invasor. E a vida não é nada fácil para as guarnições de legionários romanos nos campos fortificados de Babaorum, Aquarium, Laudanum e Petibonum..."

Pois é galera, assim começa a História de Asterix, clássico das histórias em quadrinhos, criado em 1959 na França por Albert Uderzo e René Goscinny. Vale a pena conferir, pois essa história conta sobre um povo que aguentou durante anos as investidas do Império Romano. Porém, um dia o muro cai, e o Império domina aquela aldeia. Porto Alegre vive uma situação parecida, dentro do Partido dos Trabalhadores. A lógica hegemônica de potílica venceu ontem nas prévias aqui em Porto Alegre. O muro caiu, o Império da política tradicional entrou aqui no PT de Porto Alegre. Mas isso não é a primeira vez que isso acontece aqui, no Rio Grande do Sul.

Desde a época do tema desse blog, vivemos por situações cíclicas na política aqui do RS. Após a batalha de Caiboaté, em 1756, fomos incorporados à Coroa Lusitana. Após a Guerra da Cisplatina, que levou à independencia do Uruguai, lutamos pela autonomia do nosso Estado em 1835 em relação ao Império Brasileiro. Durante 10 anos fomos uma República autonoma, porém, após o Tratado de Ponche Verde, nos reincorporamos ao Império Brasileiro. Em 1889 nós gauchos participamos do levante pelo fim da Monarquia, proclamando a República naquele 15 de Novembro. Durante o Séc. XX a cultura gaúcha balizou muitas vezes a Política Brasileira. A cultura política gaúcha possui uma visão de autônomia do seu povo, algo incômodo para a cultura política hegemônica da metade do Séc. XX até os dias de hoje, visão essa incentivada pela Indústria Cultural. Para entender melhor sobre a Indústria Cultural, recomendo ler o livro Dialética do Esclarecimento, de Theodor Adorno.

Quando caiu o Muro de Berlim em 1989, onde uma onda capitalista criou força na Queda de Braço da Guerra Fria, aqui em Porto Alegre é plantada uma semente que vai ser marco referencial da última década do Séc XX. Dessa semente surgiu o Fórum Social Mundial, onde no Primeiro Ano do Século XXI foi pensada na primeira vez da história do globo terrestre uma ação conjunta humana para repensar os males do capitalismo no Mundo. Porto Alegre foi sede do FSM devido a uma nova forma de gestão pública da cidade: o Orçamento Participativo, onde as pessoas cidadãs de Porto Alegre debatem sobre onde se deve aplicar o dinheiro da cidade. Uma Evolução quanto a História da Política e forma de gestão de Estado. Hoje os Estados são dominados pela lógica Neoliberal, algo que irei comentar especificamente num texto posterior.

Com a eleição do Prefeito José Fogaça em 2004, esse recurso administrativo vem sendo sucateado, voltando a operar na mesma lógica capitalista de gestão de Estado. De Democracia Participativa, retornamos ao modelo de Democracia Representativa, onde a política é um campo de clientelismo e troca de favores. A política tradicional, como dizem os estudiosos da Ciência Política.

As prévias do PT nesse último domingo foi uma eleição onde, de um lado estava o modelo político que tranformou Porto Alegre de 1989 até 2000 numa visão de Democracia Participativa, e do outro modelo tradicional vingente no mundo atual de Democracia Representativa. Por 56 votos, num universo de 4330 votos, vence a política pragmática da representatividade. Agora é esperar o resultado das eleições em outubro. Mas até lá só penso uma coisa: Roma invadiu a Gália!!!! O Império venceu dessa vez.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Carnaval e Páscoa - Feriados Lunares


Olá Caros Leitores!
Felicitações por esse novo ano que inicia... Mais um Ciclo Solar se passa!

É interessante ver como poucas pessoas sabem que nós Ocidentais temos alguns feriados que representam o Ciclo Lunar. A Páscoa e o Carnaval são os dois mais importantes. Nós que somos "Cristãos" (o Ocidente e a América em Geral) temos como principal data comemorativa a Páscoa, que representa a Paixão de Cristo, o grande motivo para a existência do Cristianismo. Porém nossa sociedade contemporânea conseguiu deturpar tanto a data mais importante, como os símbolos que representam esses feriados religiosos. Sobre a Páscoa, comentarei quando estivermos mais próximos.

Mas o que a Ciclo Lunar tem haver com o Cristianismo? Bem, já repararam que sempre na Páscoa a Lua é Cheia e no Carnaval ela é Nova? Coincidência??? Ohhhhh!!!!! Claro que não! Em todas as sociedades, a Lua é associada ao amor e a figura feminina principalmente. Na Mitologia Grega representava a Deusa Ártemis ou Diana para os Romanos. Entre muitas sociedade ameríndias ela é associada a Deusa Mãe. No Oriente, no Egito, na Índia, na Austrália, enfim, entre vários continentes, a Lua é símbolo do amor, da fecundidade e da Mulher. O Ciclo de 28 dias entre Nova, Crescente, Cheia e Minguante são proporcionais ao Ciclo Menstrual de qualquer mulher. No Cristianismo, a Páscoa representa o dia em que Cristo foi crucificado, na primeira sexta-feira de Lua Cheia da primavera no Hemisfério Norte do planeta (o que coincide com a primeira do outono no Hemisfério Sul). Para os Cristãos se purificarem para esta festividade, é necessário ficar de meditação (ou deserto) durante 40 dias, onde cada um de nós deveríamos se abster de algum prazer durante esse período. Então, 40 dias antes da Páscoa é a Quarta-Feira de Cinzas do Carnaval. Nós extravazamos tudo que queremos nesses 5 dias para iniciar esse processo de purificação da alma. São as Quaresmas que têm em qualquer Paróquia. Logo, o Cristianismo também tem um rito de purificação espiritual...

Esses dias vi no noticiário que os empresários do Rio de Janeiro querem colocar o Carnaval numa data fixa, para assim melhor lucrarem durante o Carnaval Carioca, o mais famoso do Mundo. O Comércio se tornou mais importante que a Religiosidade. A Sociedade Capitalista consegue justificar o fim do sentido espiritual de nós, para assim perdermos cada vez mais o contato com aquilo que nos torna mais humanos: a prática de religiosidade. Não a prática antiga de seguir alguma doutrina sem compreendê-la, mas o sentido de prática de nos aperfeiçoarmos quanto pessoas. A Práxis que de uma certa forma é lembrada pelos marxistas. E agora estamos mais uma vez a mercê dos interesses do Grande Empresariado Brasileiro. Enquanto que o Carnaval no início de fevereiro estragará os "negócios" da Burguesada, nós ficamos cada vez mais estragados sem a prática de espiritualidade. Lembrem-se, como a Páscoa representa a primeira Lua Cheia da primavera no Hemisfério Norte, TODA a forma de religiosidade também estará sintonizada, pois representam ciclos do Planeta Terra, que muitos de nós já esquecemos que vivemos nele.

Por falar em Carnaval e feriados (que logo se associam a "viagens" e "divertimento"), descobri um site bem massa sobre o Turismo na Região Missioneira como um todo, desde os nossos 7 Povos até a Região Missioneira do Continente Sulamericano. É uma boa pedida para quem tem aversão ao apelativo Carnaval Carioca, e pretende conhecer algum lugar diferente e bem massa, assim como resgatar algum sentido de religiosidade nesse Feriado de Lua Nova dos dias 02 a 05 de fevereiro.

O Site é: http://www2.uol.com.br/mochilabrasil/missoes.shtml

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Perspectiva - Jorge Mautner


Gosto de quem gosta
Das coisas sem querer prendê-las
Gosto de quem gosta, como eu
De ficar namorando, ficar se beijando, olhando
Para as estrelas

Gosto de quem gosta
Das coisas sem querer prendê-las
Gosto de quem gosta, como eu
De ficar namorando, ficar se beijando, olhando
Para as estrelas

Assim vou caminhando
Por esta vida
Assim eu vou andando
Por esta imensa avenida
Vivendo não sei bem por quê
Sempre numa grande expectativa ahh
E avenida em russo quer dizer perspectiva
E avenida em russo quer dizer perspectiva

Sendo assim eu lhe pergunto
Se você não quer ser
A minha avenida, a minha ávida vida
A minha expectativa, a minha perspectiva
A minha expectativa, a minha perspectiva

Por exemplo
Perspectiva é avenida
Avenida Nevsky: perspectiva Nevsky
Avenida Getúlio Vargas: perspectiva Getúlio Vargas
Avenida Brasil: perspectiva Brasil
Avenida Paulista: perspectiva Paulista

É.... glasnost... transparência
E abertura é perestroika
Karandash é lápis e babushka é vovó
E camarada, ah camarada é tovarish
E paz, paz é mir mir mir

Gosto de quem gosta...

Para a rua, tambores e poetas
Ainda há palavras lindas
U R S S – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas
Ó tu, União Soviética, Cristo entre as nações
Para o júbilo, o planeta ainda está imaturo
É preciso arrancar alegria lá do futuro

Morrer nesta vida não é difícil
O difícil é a vida e seu ofício
E os demais todo mundo sabe
O coração tem moradia certa
Bem aqui no meio do peito

Mas é que comigo
A anatomia ficou louca
E sou todo, todo, todo, mas todo...
Coração

domingo, 16 de dezembro de 2007

A Revolução Francesa - O Iluminismo se impondo

Olá meu caros leitores!

Saúdo-os pedindo perdões por essa longa demora.

Para início de conversa, venho me debruçado sobre alguns pensamentos, rememorando e repensando o que fora a tranformação do pensamento humano, a ponto de coletivamente eclodir sob uma nova perspectiva, salientando que nos nossos dias, devemos mais uma vez tranformar o pensamento humano, para sermos mais coletivos ainda. Por que busco isso? Bem, digamos que conheci um pensador bem interessante: Jean-Jacques Rousseau. Digo interessante, pois ele compreendera em sua época a importância da transformação do pensamento humano, sendo seus escritos estopins para o início de nossa era capitalista nas Revoluções Burguesas, mas mais propriamente a partir da Revolução Francesa. Mas isso veremos em outro momento.

Uma coisa que temos que recordar, quando falamos em "estrutura estatal", é sobre Quem coordena a vida coletiva??? O Soberano, o Estado, a Aristocracia, ou o Povo? Até a Revolução Francesa vimos o Soberano estando no Poder, porém sem realizar os desejos da maioria da população, ou pelo menos a vontade geral. Isso gerou uma instabilidade a ponto da população romper seus grilhões, e invadirem o grande símbolo de poder na época: a Bastilha (para os desavisados, a Bastilha era a grande prisão política da França Absolutista). Quando se fala em liberdade individual que a Queda da Bastilha representou, na verdade foi um símbolo de rompimento de séculos (na verdade milênios, mas não vem ao caso agora), onde se diferenciava uma pessoa da outra através de sua filiação, que, por sua vez, representariam os verdadeiros representantes de Deus na Terra (ou seja, o direito de herança é justificado pela Origem Divina!). Direito de herança pois é ligado diretamente a posse, ou propriedade. Quando se assimila que as posses surgem a partir do trabalho (o que os protestantes querem), supõe-se a produção da terra. Isso diferenciava brutalmente o Regime vingente (Antigo Regime, lembram-se da Sexta Série??) na França. Ali pode-se dizer que foi a primeira vez que o povo integrado conseguiu derrubar uma lógica viciada operante desde o Império Romano, pelo menos.
Quando a "lógica humana" derrubou a visão teocrática de Estado, foi fabuloso para o amadurecimento do Ser Humano. Porém, para variar, foi esquecido de olhar os "efeitos colaterais" do pensamento Antropocêntrico na bula Iluminista: "O homem é o lobo do homem!". Então, se o "antropos" (humano) é o centro do universo, só tem carniceiro a nos colocar cabrestos!!!!! A nossa educação coletiva ensinou o humano a ser assim, a sermos individualmente o centro das atenções. Matamos Deus no auge do Séc XIX, vimos um Séc XX quase desastroso para o Planeta (o Ser Humano se divinizou no momento em que se colocou no centro do Universo), e hoje estamos obrigados a repensar em nossos "modus operantis" do dia-a-dia. Quem sabe agora no início do Séc XXI estamos aprendendo devagarinho a sermos cidadãos??? Será que a "água" bateu na "bunda" de nós "patos", literalmente?

Um dia ainda conseguiremos romper nossos desejos individualistas, para constituirmos um coletivo humano, sem a necessidade de termos mais do que possamos possuir. Ou ainda o Planeta deve continuar a ter os Seres Humanos da etnia Européia como Proprietários Naturais de tudo? Nós possuímos o Planeta, ou ele nos possui?? Pensemos nisso.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Economia Alternativa


Olá Caros Leitores...

Mais uma vez me ausento por um período mais longo.... O motivo são as pesquisas q ando fazendo.... numa dessas, encontrei esse texto... vou dividí-lo com vcs...

Abração a todos

ECONOMIA ALTERNATIVA

Viagem a uma empresa utópica

No sul da Espanha, uma companhia que não visa lucro, pratica o comércio justo e paga salários iguais a todos os sócios e funcionários atua há vinte anos — e está em perfeita saúde econômica

Carola Reintjes

A ilha que descobriremos, por meio de um de seus povoados, é a da Economia Alternativa e Solidária. Um dos tesouros guardados a sete chaves — tesouro privado-intimista – é um pequeno povoado chamado Ideas. O nome é referência às visões de mundo – rebeldes, insubmissas, transformadoras – que se cultivam por lá. Idéias nobres, que se encontram no pólo oposto da suposta nobreza do sangue azul. (Alíás, nunca entendi como se pode associar classismo e elitismo à cor-símbolo do mar, do alto vôo sobre horizontes esperançosos).

Venham comigo a um rincão de Andaluzia, ao extremo sul da Espanha, mais próximo da África do que do coração da velha Europa, para conhecer uma organização de Economia Alternativa e Solídária, denominada Ideas. O que o ela tem de especial? Comecemos pelo que diz sua página web:

Ideas (Iniciativas de Economia Alternativa e Solídária) é uma Organização de Comércio Justo, cuja missão consiste em transformar o plano econômico e social, com o fim de construir um mundo mais justo e sustentável, desenvolvendo iniciativas de Comércio Justo, Economia Solidária e Consumo Responsável, tanto no âmbito local quanto internacional. Todas as ações da organização fundamentam-se em princípios de igualdade, participação e solidariedade”.

Belas palavras... Mas o papel é paciente, e entre a missão declarada de tantas organizações e a prática há uma pequena fratura, ou um abismo. O que existe de fato de alternativo e transformador na organização? Vejamos.

Quando os "donos" renunciam a sua propriedade

Quantas empresas existem no mundo, nas quais a gestão econômica não obedece a lógica de maximizar lucros? São denominadas empresas de Economia Solídária. Os lucros eventualmente obtidos não são repartidos entre acionistas e sócios — mas utilizados para ampliar as ações em curso. Os "donos" renunciam também à propriedade. Ao deixarem a empresa, oferecem ao coletivo sua "parte" no capital. Existem empresas assim, e não são poucas. Ideas é uma de muitas...

Quantas empresas dedicam-se a atividades que vão contra a lógica de mercado, deixando de se apoiar na competitividade, na lei do mais forte ou na lógica de oferta e procura do comércio tradicional? Essas também existem. E crescem cada vez mais, seja pelo “esgotamento do modelo globalizador excludente”, por suposta responsabilidade social ou pelo verdadeiro compromisso. Ideas é uma dessas.

Em quantas empresas comerciais as compras e vendas são baseadas em outras lógicas, que não as do mercado? Recusa-se o poder do comprador sobre o provedor, mais débil. Rompe-se a lógica de desigualdade e se desenvolvem, em vez dela, relações de cooperação e práticas de comércio justo, a serviço do empoderamento dos pequenos produtores marginalizados. São as Organizações de Comércio Justo. Ideas, mais uma vez, está neste grupo, credenciada pela Associação Internacional de Comércio Justo (IFAT).

Quantas empresas comerciais investem energia e recursos na reivindicação, campanhas, sensibilização, incidência política e educação de consumidores, jovens e cidadãos em geral? Neste caso, são poucas – Ideas solitárias.

Almoxarife e diretor: mesmo empenho, igual salário

Em quantas empresas pratica-se a horizontalidade salarial? Os trabalhadores com formação acadêmica ou experiência em setores valorizados no mercado recebem salário igual ao daqueles que não tiveram a mesma sorte. Acredita-se que o encarregado do armazém emprega o mesmo esforço e empenho de um diretor. Ainda não há muitas empresas assim, mas posso assegurar que Ideas é uma delas.

Quantas empresas conhecemos onde o número de mulheres em cargos diretivos é igual ou proporcional ao número de homens? Em Ideas, nunca houve um debate sobre a denominada “questão de gênero”: há a prática natural diária de respeito e igualdade.

E, por fim, em quantas empresas a revolução se faz de segunda-feira a sábado? Os sócios e trabalhadores expressam o protesto contra a globalização econômica, a guerra e tantas misérias mais. Possuem militância construtiva no tecido social, contribuindo, com ativistas e consumidores, na formulação de alternativas sociais, econômicas e ecológicas. Ideas que, de outra forma, estariam em perigo de extinção.

Em perigo de extinção? Depois de vinte anos, estas boas e nobres Ideas — idéias rebeldes, insubmissas e transformadoras — sobrevivem, resistem e constróem. Gozam de muito boa saúde...

Tradução: Carolina Gutierrez
carol@diplo.org.br


Fonte: Le Monde Diplomatique Brasil
http://diplo.uol.com.br/2007-10,a1983

domingo, 21 de outubro de 2007

Tenro (Tender) - Blur

Olá Caros Leitores!

Hoje vou postar uma musica que ouvi hoje, e me fez pensar muitas coisas boas e interessantes... Vou postar a tradução da musica, e curtam o som....






Tender (tradução)

Blur

Composição: Indisponível

Tenro

Tenra é a noite
deitado ao seu lado
Tenro é o toque
De alguém que você ama muito
Tenro é o dia
Os demonios vão embora
Senhor eu preciso encontrar
Alguém que possa curar meu espirito
Venha, venha, venha
Entre
Venha, venha, venha
O amor é a melhor coisa
Venha, venha, venha
Entre
Venha, venha, venha
O amor é a melhor coisa
que temos
Estou esperando por este sentimento
Estou esperando por este sentimento
esperando para que aquele sentimento venha
Oh, meu bem
Oh, meu bem
Oh, por que
Oh, Deus
(2x)
Tenro é o fantasma
O fantasma que eu mais amo
Se escondendo do sol
Esperando a noite chegar
Ternro é meu coração
Estou estragando minha vida
Senhor eu preciso encontrar
Alguém que possa curar meu espirito
Venha, venha, venha
Entre
Venha, venha, venha
O amor é a melhor coisa
Venha, venha, venha
Entre
Venha, venha, venha
O amor é a melhor coisa
que temos
Estou esperando por este sentimento
Estou esperando por este sentimento
esperando para que aquele sentimento venha
Oh, meu bem
Oh, meu bem
Oh, por que
Oh, Deus
(2x)
Venha, venha, venha
Entre
Venha, venha, venha
O amor é a melhor coisa
Venha, venha, venha
Entre
Venha, venha, venha
O amor é a melhor coisa
que temos
Estou esperando por este sentimento
Estou esperando por este sentimento
esperando para que aquele sentimento venha
Oh, meu bem
Oh, meu bem
Oh, por que
Oh, Deus
(2x)
Tenra é a noite
deitado ao seu lado
Tenro é o toque
De alguém que você ama muito
Ternro é meu coração, você sabe
Estou estragando minha vida
Senhor eu preciso encontrar
Alguém que possa curar meu espirito
Venha, venha, venha
Entre
Venha, venha, venha
O amor é a melhor coisa
Venha, venha, venha
Entre
Venha, venha, venha
O amor é a melhor coisa
que temos
Estou esperando por este sentimento
Estou esperando por este sentimento
esperando para que aquele sentimento venha
Oh, meu bem
Oh, meu bem
Oh, por que
Oh, Deus
(vai diminuindo até o fim)